quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Sob o Impacto Direto: O Inferno de Chapa de Aço de um Artilheiro na Bulge

 A história da Batalha do Bulge é contada em números frios e mapas coloridos, mas seu verdadeiro horror reside na memória dos homens que a viveram. Entre eles, Oda C. "Chuck" Miller , um Cabo Artilheiro de Tanque, então na Companhia E, do 32º Regimento Blindado, da 3ª Divisão Blindada, traz um testemunho que rasga o véu do tempo, revelando a brutalidade do combate interno de um M-4 Sherman.

A Convocação para o Pesadelo

O ano era 1945. No início de janeiro, a unidade de Miller estava estacionada em Bushbach, Alemanha , um subúrbio de Stolberg, preparando-se para ações no Vale do Roer. Contudo, a contraofensiva alemã nas Ardenas, conhecida como a Batalha do Bulge, exigiu uma rápida reorientação: a 3ª Divisão Blindada foi deslocada para a Bélgica para combater a ofensiva inimiga.



Em uma manhã gélida do início de janeiro de 1945, na pequena cidade de Start, Bélgica , Miller e seus companheiros – o Sargento Bill Hey (Comandante do Tanque), T-5 Roy Fahrni (Motorista), PFC Peter White (Motorista Assistente) e o Soldado Homer Gordon (Municiador) – avançaram em formação de linha sobre um campo aberto em direção a Grand Sart. O inferno de metal e neve começava.

O Batismo de Fogo no Campo Aberto

O primeiro golpe veio da terra: o tanque de Miller atingiu uma mina terrestre. A explosão sacudiu violentamente o veículo, inundando-o de fumaça preta. A sorte, no entanto, ainda sorria à tripulação; o dano limitou-se a algumas rodas e à borracha de algumas sapatas da esteira. Eles seguiram adiante.

Miller, no posto de artilheiro, disparava seu canhão de 75 mm contra um tanque alemão escondido perto de um celeiro. Disparara uma munição perfurante  quando, de repente, o mundo de chapa de aço se desfez. Um tiro direto atingiu a torre. O projétil acertou o anel da cúpula, e um clarão de fogo cegou o periscópio de Miller.

O impacto não apenas abriu a escotilha do Comandante do Tanque, Bill Hey , mas arrancou parte de sua cabeça e destruiu o reparo e a metralhadora antiaérea. Bill Hey morrera instantaneamente, caindo sobre Miller, cobrindo-o em sangue.

A Luta Pela Saída

Em meio ao caos, a única certeza era a necessidade de escapar. Atingidos uma vez, sabiam que novos projéteis viriam até o tanque pegar fogo. O motorista assistente pulou , e o municiador rastejou pela torre para sair pela escotilha do motorista assistente.

Miller, coberto pelo sangue do seu comandante , lutou para tirá-lo de cima de si. Ao rastejar para fora da torre, esperava cair na traseira do tanque, mas acabou caindo ao chão. A neve profunda amorteceu sua queda.



Enquanto isso, o motorista, que não conseguia abrir sua escotilha devido à posição do canhão, começou a dar ré no tanque. Com o movimento e o canhão em rotação automática, a arma se moveu para a esquerda , liberando o caminho para o motorista escapar.

Sob fogo de metralhadora , Miller rastejou para a traseira do tanque e, junto com o motorista, conseguiu alcançar um pequeno leito de riacho e, finalmente, a cidade de Sart.

No dia seguinte, a equipe de Registro de Sepultamentos removeu o corpo de Bill Hey. Miller e os sobreviventes levaram o tanque de volta à manutenção do batalhão. A limpeza da torre, que envolvia a remoção de projéteis e a higienização de assentos, rádio e todos os cantos cobertos pelos restos mortais do comandante, foi, nas palavras de Miller, "um trabalho muito macabro".

A crueza do relato de Oda C. "Chuck" Miller revela a verdade brutal por trás da armadura: no inferno da guerra blindada, o metal era um escudo, mas também um caixão, onde o sangue, o fogo e a sobrevivência eram medidos em segundos de terror.

Fonte: boletim informativo "The Bulge Bugle"