Em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial, surgem histórias que desafiam a lógica e a estatística da morte. Fatos que, de tão improváveis, são imediatamente classificados como milagres.
O Batalhão estava aquartelado em Porreta Terme, uma localidade italiana que, por um detalhe topográfico crucial — um "ângulo morto" — oferecia uma proteção inesperada. As granadas da artilharia inimiga simplesmente não atingiam a área onde os homens se posicionavam. Elas passavam por cima. O barulho era constante, um ruído estranho, descrito por alguns como o bater de asas de um pássaro esquisito, sinalizando a trajetória da morte que cruzava o céu.
Em uma casa de três andares, a 1ª Companhia de Evacuação, comandada pelo Capitão Mario Victor de Assis Pacheco, estava acantonada. O Capitão Pacheco sentiu uma inquietação inexplicável. Mesmo sabendo da segurança garantida pelo "ângulo morto", ele não gostava da presença dos homens nos andares superiores. Num ato que hoje se revela uma providência, ordenou que todos descessem, que abandonassem o segundo e o terceiro pisos.
Naquela mesma noite, a matemática da guerra falhou. Por uma razão técnica desconhecida — talvez uma perda de força na trajetória —, a granada que deveria cruzar o céu arrebentou, destruindo completamente os dois andares que haviam sido evacuados horas antes. Ninguém foi ferido. Nenhum homem foi atingido. Foi o momento da sorte cega, imediatamente registrado nos anais do batalhão como um milagre.
Baseado no relato do General-de-Divisão Médico Geraldo Augusto D’Abreu (História Oral do Exército na Segunda Guerra Mundial).
